quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ver & Sentir III



Alguns de nossos representantes políticos e infelizmente Castores (pastores) deveriam olhar esse vídeo. Novamente digo que infelizmente as coisas na igreja institucional estao se igualando com o mundo, práticas dantes vistas só no mundo político.

Dinheiro e fama são a bola da vez no mundo dos semideuses, mentira e armações já não são algo errado e totalmente antibíblicas, são agora meios que se justificam pelo resultado. A chafurdação na lama da prostituição com o mundo tem fim, mas até lá Deus ajude as pobres ovelhas, para que elas não morram antes de chegar o dia.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ler & Pensar VI



Meu pentecostalismo revisitado - Elienai Cabral Junior (Continuação)

Até aqui me referi apenas à herança bendita do pentecostalismo. Preciso também me lembrar do que carrego com lamento, ainda de minha infância.

Não demorou muito para descobrir nas aflições de meu pai o que bem depois compreendi com mais precisão. O mundo pentecostal estava profundamente comprometido com uma prática de poder perversa. Perdi a conta das vezes em que meu pai aguardou a chance de pastorear uma igreja no vasto Brasil assembleiano.

Recordo-me de alguns detalhes que faziam parte das muitas histórias de decepção. O povo da igreja, admirador de meu pai, tentava se articular de muitas formas contra os movimentos invisíveis dos bastidores políticos. Meu pai ouvia promessas de que tudo seria justo e que ele seria lembrado. No entanto, alguém sempre, por meios questionáveis, conseguia descartá-lo a despeito da vontade popular e impor outro que compusesse interesses políticos maiores. Foram muitas as vezes que vi meu pai chorar, minha mãe consolá-lo e ele, teimosamente, acordar no dia seguinte com a mesma capacidade de continuar sonhando e acreditando em um dia em que seria reconhecido o seu valor.

Também ouvi as tantas conversas sobre os tantos “esquemas” para que alguém se perpetuasse à frente de uma igreja, de uma supervisão, de uma convenção, ou mesmo da Convenção Geral das Assembléias de Deus (CGADB). Histórias como a de um porteiro que recebeu credencial de pastor de última hora para ajudar a eleger como presidente da convenção um certo líder, ouvi com uma freqüência vergonhosa. Coisas como estas foram ensinando ao meu coração, à minha inconsciência de então, o que hoje discirno com lúcida consciência, que o poder pentecostal confundiu-se rapidamente com um outro poder, articulado por gente que aprendeu a amar títulos, mando e prestígio humano.

Minha primeira tentativa de explicação é que o poder pentecostal comportou-se como uma habilitação para o desempenho de tarefas tão somente. Gente com poder faz mais e melhor. A conclusão óbvia foi que apenas os que recebessem tal virtude, o Batismo com o Espírito Santo, sinalizado primeira e necessariamente com a fala prodigiosa de línguas estranhas, teriam legitimidade para o exercício ministerial. Receber “poder” transformou-se em ter “poder”, legitimidade de mando e prestígio diante dos demais. Uma vez falando em línguas, o próximo passo era ser diácono. Vi tanto crente devoto e talentoso amargar o desprestígio diante da igreja! Vi tantos irmãos sinceros impedidos de desenvolverem ministérios na igreja porque não falavam em línguas! Também vi tanta gente de conduta questionável exercendo o mando apenas porque um dia falou em línguas estranhas! As disputas de poder, busca de títulos, hierarquização dos ministérios são características fortes e inegáveis dos ambientes pentecostais clássicos.

Mas, uma outra característica, esta mais recente e escandalosa, é a do envolvimento de líderes pentecostais com as disputas políticas seculares. Desde a Constituinte de 1988, nós pentecostais não conseguimos ficar de fora da lista de nenhum grande escândalo da vida pública. Negociações indecentes com forças políticas têm sido freqüentes na recente história pentecostal. Contam-se como piadas de crentes as participações de certos líderes políticos em cultos evangélicos, que não se intimidam em saudar os crentes com “a paz do Senhor” e proferir os jargões devidamente ensinados por seus assessores. Novamente, aqueles que foram ensinados a buscar o poder do Espírito, com estranha facilidade passaram a buscar o poder político.

Sofremos a mesma tentação de Jesus no deserto, “tudo isso te darei se prostrado me adorares”. O Cristo, cheio do Espírito no batismo do Jordão, prestes a percorrer o mundo com o evangelho, recusou-se a confundir o poder pelo qual veio com o poder político oferecido pelo Diabo. Jesus venceu, “somente a Deus adorarás, somente a Ele prestarás culto”. Nós pentecostais prostramo-nos diante do Maligno ao amarmos e promovermos este outro poder. Estamos no Congresso Nacional há duas décadas, mas não mais temos como emblema a integridade moral. Hoje, a bancada evangélica é vista como um dos grupos mais corruptos no trato com a coisa pública. Prostramo-nos também e de vergonha diante do povo brasileiro.

Outra leitura que faço é a da cria indesejada do pentecostalismo, o neopentecostalismo. Aqui me arrisco de novo em uma explicação. O neo-pentecostalismo nasceu do adiamento pentecostal da reflexão. Digo adiamento, porque não questiono a ausência de vocação para refletir de qualquer novo fenômeno religioso. A história ratifica o fato. Mas a dificuldade de se reinventar como movimento, a rigidez postergada da irreflexão ocasionou uma fissura do tamanho do neopentecostalismo.

As manifestações derivadas do neopentecostalismo cada vez mais bizarras e cada vez se substituindo mais rapidamente por outras, marca da lógica de mercado, foram recebidas com fluência no ambiente pentecostal clássico. Ávidos pelo poder em sua expressão mais performática, inconformados com a perda do fenômeno pentecostal das primeiras décadas, nós pentecostais tornamo-nos presas fáceis para a chamada teologia da prosperidade e movimentos da fé de origem norte-americana. Rapidamente nosso pentecostalismo migrou do fervor missionário para o êxtase narcisista. Lotamos auditórios para assistirmos o espetáculo de ilusionistas religiosos derrubando no chão crentes sugestionáveis. Escancaramos nossas portas para ouvir com ingenuidade pregadores influenciados pelo neognosticismo originado na Ciência Cristã, também exportado pela cultura evangélica norte-americana. Alguém já disse que os alemães inventaram a teologia, os americanos estragaram e nós consumimos!

Diante disso, proponho uma revisão de nossa pentecostalidade. Precisamos aprofundar o sentido de poder quando falamos do poder do Espírito. Enquanto movimento, o pentecostalismo não precisou fazer algumas reflexões. O fenômeno freqüentemente prescinde de reflexão. Mas o desenrolar do tempo encerrou o fenômeno, o que também é constituinte de um movimento, assim como foi no primeiro século da igreja cristã. O mundo mudou, nossas práticas mais antigas tornaram-se inócuas. Nossa linguagem expirou sua comunicação. Nossos cultos não reproduzem com naturalidade as mesmas experiências do passado. Toda reedição forçosa de um fenômeno espiritual torna-se artificial, efêmera e tende a descambar em manipulação inescrupulosa.

Proponho uma arqueologia de nossa alma pentecostal. Sem medo de descobrir o que hoje pode ser apenas um fóssil esquecido de nossas origens. Desconfio que “o poder pentecostal” é este fóssil de nossa espiritualidade a ser reencontrado. Acredito que o “elo perdido” de nossa pentecostalidade é a prática deste outro poder fossilizado por nossas buscas de expressão social e política. Cabe-nos parar. Pensar e converter-nos ao primeiro amor. “Volte para o lugar onde caístes”.

Como emblema do nosso pentecostalismo, o falar em línguas pode ser o ícone deste movimento aqui revisitado. Façamos do falar em línguas nosso ponto simbólico de reflexão e construção deste novo pentecostalismo. Dentro do discurso tradicional da doutrina pentecostal, o falar em línguas estranhas, a glossolalia de Atos 2, é o primeiro sinal necessário e evidência do Batismo com o Espírito Santo. As línguas estranhas são o fenômeno da segunda benção. Esta por sua vez, distinta da salvação, sujeita e posterior a ela, é o componente carismático de Deus para o cumprimento da tarefa missionária da igreja (At 1.8). A conclusão imediata da doutrina pentecostal é que ninguém está plenamente apto para o exercício ministerial sem o batismo com o Espírito Santo e este evidenciado pelo falar em línguas. Como também, o sinal de línguas, freqüentemente diferenciado pelos manuais pentecostais do dom de línguas, é a porta de entrada dos dons espirituais listados por Paulo(1Co 12).

A relação óbvia das línguas com o poder precisa ser enxergada na prática pentecostal. Quem fala em línguas tem poder. Os que ousam discutir a relação necessária do Batismo com as línguas ouve a questão sempre: mas como saber se alguém foi ou não batizado sem as línguas? Para conferir o estatuto de competência espiritual ao então batizado com o Espírito Santo precisamos de uma evidência forte. 

Continua...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ler & Pensar IV


Até o final da semana postaremos  partes do texto Meu pentecostalismo revisitado - Elienai Cabral Junior, um texto apresentado a mim por um amigo e camarada que me fez pensar, sobre o modo como recebo o evangelho de Cristo em minha vida. Mas aviso aprecie com moderação (kkkkk...) Leia, medite e desfrute.

Meu pentecostalismo revisitado 
Por: Elienai Cabral  Júnior 

Sou a terceira geração de pastores em minha família. Meu avô materno, hoje jubilado, é pastor da Assembléia de Deus no interior do Rio de Janeiro. Meu avô paterno, já falecido, pregou sua última mensagem (“A que vieste?”) na Assembléia de Deus em Curitiba, onde encerrou sua trajetória ministerial, a três dias de sua partida para o Senhor. Ambos marcaram seus ministérios com uma pregação consistente, criativa e antecedida de pesquisa e elaboração textual. Do meu avô materno, José Carlos Lessa, carrego a impressão de uma pregação professoral e cartesiana. Do meu avô paterno, Osmar Cabral, sua eloqüência e paixão, que o levaram aos ‘pulinhos’ empolgados, foram traços que não o impediram de pregar com gravidade e conteúdo.

Meu pai é pastor no Distrito Federal. Não o conheci em outro ofício senão o do púlpito. Quando nasci, meu pai já viajava o Brasil pregando e promovendo as famosas ‘cruzadas evangelísticas’, “Cruzadas Boas Novas”, protagonizadas pelo Evangelista Bernardo Johnson Jr. À frente da geração anterior, tanto quanto da sua própria, cursou teologia. Escreveu livros, e ainda o faz. Tornou-se uma referência da teologia assembleiana no Brasil. Conseguiu reunir a eloqüência, elaboração intelectual e a criatividade em sua produção pessoal. Seu escritório é uma escandalosa biblioteca.

Minha mãe, não poderia deixar de incluir sua presença influente em minha história de pentecostalismo, imprimiu em mim a obsessão pela coerência, um criticismo agudo e insistente, o gosto pela língua bem falada e escrita e uma leitura da fé sem os moldes da teologia sistemática.

Curiosamente, a presença dos livros e a pregação antecedida de pesquisa e elaboração foram parceiras das experiências do tipo pentecostal. Este ambiente de reflexão e espírito inventivo, inusitado para o pentecostalismo, tão intuitivo e passional, não prescindiu das mais legítimas manifestações carismáticas. Cresci ao som de línguas estranhas, promessas derramadas em nossa família por profecias do tipo “Eu, o Senhor teu Deus, falo contigo...”, curas físicas, milagres financeiros, cultos graves e intensos, de tão gloriosa presença do Espírito Santo. Como esquecer o dia em que depois de comer pão coberto com banha de porco e açúcar, por absoluta falta de alternativas, fomos surpreendidos por um amigo da família carregando compras para dentro de casa, porque Deus falara ao seu coração? Como perder a memória da reunião de mulheres na casa de alguém, em que fui batizado com o Espírito Santo, falando em línguas pela primeira vez aos nove anos de idade? Carrego o legado pentecostal nas minhas lembranças de como Deus tornou-se conhecido para mim.

Entrei em contato com o pensamento teológico organizado através dos diversos seminários, que duravam uma semana, ministrados pelo meu pai em seu Ministério Cristocêntrico: As Setenta Semanas de Daniel, O Apocalipse, Carta aos Romanos, A Juventude Cristã e o Sexo. O Batismo com o Espírito Santo e os Dons Espirituais e outras dezenas. Ajudava na organização, inscrições, distribuição de apostilas, certificados. Mas o que gostava mesmo era de sentar entre os participantes, caneta na mão, apostila, Bíblia e uma mente adolescente deslumbrada com a sabedoria do pai e a grandeza de tudo o que ouvia (‘Como pode caber tanta coisa na cabeça de um homem só?!’)

Junto a tudo isso, o ardor evangelístico. Ninguém pedia, mas aos sete e oito anos de idade distribuía folhetos na rua em frente ao prédio onde morávamos em São Vicente, litoral paulista. Um monte de gente passava por ali em certo dia da semana, em direção à feira livre da rua vizinha. Carrego uma memória preciosa do dia em que “ganhei a minha primeira alma para Jesus!” Foi o que gritei quando entrei em casa exigindo que minha mãe me desse uma daqueles livros que se dava para um recém convertido. Do livro não esqueço, nem do título e do autor, De Coração para Coração de Alcebíades Vasconcelos. Desci a escadaria correndo, livro na mão, coração quase saindo pela boca, lágrimas nos olhos. Entreguei o livro e o endereço da igreja na mão do rapaz. Não me pergunte por ele. Nunca mais o vi. Mas ali, de uma forma linda, Deus forjava em um menino o ímpeto pastoral.

Tive um amigo do qual não consigo esquecer. Natanael Rinaldi, um homem apaixonado por vidas e evangelismo. Imagino que ele deveria ter na época mais de quarenta anos de idade. Três vezes na semana, terça, quinta e domingo, à tarde, buscava-me no mesmo endereço que acabei de relatar. Íamos para cultos ao ar livre, hospitais, orfanatos, casas, ruelas. Bíblia de baixo do braço, um maço de folhetos na mão e os olhos dilatados pelo deslumbre de ser um evangelista. A primeira vez de um pregador ninguém esquece. Meu querido amigo avisou-me que eu “daria uma ‘palavra” no culto ao ar livre. Não lembro do que falei. Mas já tinha aprendido com meu pai a andar sempre preparado para uma oportunidade. O que não consigo esquecer é a minha alegria ao dar a notícia ao meu pai de que tinha pregado pela primeira vez. Em seguida, tornei-me um “pregador mirim”. Aonde meu pai fosse pregar, arrumava um jeitinho de “dar uma palavrinha”. A imagem da igreja “em chamas” encantou-me. A vozinha esganiçada de menino vociferava jargões inflamados. Dava-me três minutos e o “fogo” estava atiçado. Cheguei a acreditar que eu fosse realmente muito bom. Mas bom mesmo era aquele povo apaixonado por qualquer expressão mínima de fé.

Subi morros em Niterói, cidade do Estado do Rio de Janeiro. Vi gente possessa por demônios bolar no chão poeirento das clareiras entre os barracos de favelas. Gente opressa por demônios (e por gente, hoje eu sei). Lembro de, aos nove ou dez anos, ter uma mulher diante de mim, depois de rolar de dentro do seu barraco até o centro da roda do culto onde estávamos cantando e pregando, estrebuchando aos berros. Com medo, mas devidamente treinado por tudo o que já tinha visto, baixei com as mãozinhas sobre a sua cabeça e, junto com todos os outros, berrei a ordem de expulsão dos espíritos que ali estavam.

Em minha adolescência, assisti a muitas transformações do ambiente pentecostal. Muitas tradições começaram a ruir, principalmente as estéticas. As mulheres agradeceram. Roupas, cabelos e adereços sofreram as mudanças inexoráveis do mundo moderno. Apesar de ainda hoje encontrarmos guetos de resistência.
A estética do culto também mudou, por pressão de uma juventude ansiosa por se expressar. Igrejas pentecostais novas surgiram. Empolguei-me quando descobri uma tal de Assembléia de Deus Betesda em Fortaleza, Ceará. Tirou-me o fôlego, aos quinze anos, depois de um culto pontuado por uma exposição densa da Bíblia e muito quebrantamento, acompanhar os jovens da igreja à beira-mar, onde tomamos sorvete, cantamos louvores em roda na areia da praia e evangelizamos todos os que pudemos. Redescobri o prazer do culto, aprendi a ler com paixão a Bíblia, a orar com freqüência com jovens vindos das drogas e de uma sexualidade pervertida para o Senhor Jesus. “Dancei no espírito”. Freqüentei acampamentos. Participei de “louvorzões”. Escandalizei os mais velhos. Mas continuei junto com tantos outros dentro da igreja. Um pentecostalismo já mudado emergiu em minha geração.

Hoje, sou pastor de uma dessas tantas ‘Betesdas’ espalhadas pelo Brasil. Além de cursar Teologia no mesmo seminário que meu pai (apesar de minha passagem ser marcada por algumas convulsões de comportamento e teologia), formei-me em Filosofia. Mantive o gosto pela leitura que aprendi em casa. Bebo freqüentemente das memórias deixadas por meus avós e pais. Mas pastoreio uma igreja distinta da igreja que eles pastorearam. Meu mundo mudou assustadoramente. E o pentecostalismo também.

Convivo com irmãos que experimentaram o que eu também experimentei no passado. Muitos vivem vergados de culpa. Tentam explicar porque não vivenciamos o fervor de outrora. Porque os dons não se mostram como antes. Nossos cultos tornaram-se diferentes em todos os sentidos. No entanto, não consigo sentir-me nem culpado e nem participante de algo inferior. Apenas vivemos um tempo distinto. O pentecostalismo sofreu mudanças. Alguns valores preciosos se transviaram em vícios vexatórios para a igreja. Mas algumas transformações simplesmente seguiram o curso natural da vida. Diante disso, sinto necessidade de pensar os tropeços pentecostais, além das boas memórias já visitadas. Como também de indicar um caminho possível e necessário para revisitar nosso pentecostalismo. (Continua...)



Cadê os Elias IV


É, assim caminha bem a cristandade em largos passos para um evangelho totalmente loja de conveniência, sem nada acrescentar de bom para um mundo confuso e fútil. Como alcançar almas para o reino se o reino se converte ao pecador, sim se pensou que o reino de deus se tornou pecador em muitos aspectos que vemos hoje pensou certo. O reino que muitas igrejas apresentam hoje é a imagem de um reino pecador que se adapta as necessidades dos fieis ( Até que o verdadeiro reino de Deus os separe da moleta)  sem pedir nada mais além da carteira e de devoção cega.

Nisso tudo me fica a pergunta: Até quando não agira os Luteros, os Elias de nosso tempo,sei que existem homens de Deus em nosso tempo, mas não entendo por que tanta letargia, procrastinação e acomodação num discurso de "Não toque pois Deus há de julgar" mas Deus trabalha em parceria com o homem. 

Estamos vendo o povo de Deus cair nos dois extremos, ou o legalismo que altamente danoso, assim como o liberalismo que vemos, em que a contextualização do evangelho se faz a unica forma eficaz de levar a mensagem do evangelho a todos.

Deus nos ajude até chegar lá em Sião.

JC Silver


Ver & Sentir II


Amar não tem preço. Ame com todo o seu amor, pois o amor é a fonte de toda bondade, o amor é a fonte da vida porque a vida vem do amor e pelo amor.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Deus verdadeiro



“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo.” (Salmo 23.4)

Imagine você o medo mais horrendo que agarra o seu coração, a situação mais tenebrosa que só de você pensar lhe causa arrepio na alma. Pensou, pois é meu amigo o versículo acima descreve uma situação destas, mas com a presença de Deus o escritor não tema mal algum. Andar em um monte de dificuldades ou mesmo na escuridão mais densa não é problema quando sentimos a presença de Deus a nos consolar e dar forças.

Mas às vezes não sentimos esse Deus descrito poeticamente na escuridão da noite, sei que parece melancolia ou algo apenas de desabafo, mas muitos de nós passamos pelo deserto da solidão. Nossas vidas se acometeram de uma triste divagação sobre a presença de Deus nos momentos de negra escuridão, pois nosso relacionamento com ele é muitas vezes retórico e apenas saudosista em recordações do passado descrito na sua palavra, ficando às vezes a impressão de que a mínima (na nossa ótica) ação Dele em nos mostrar o contrario, é apenas fruto de nossa agonia por algo maior que nos livre da dor. Nesta hora vem a celebre pergunta: “Onde está Deus?”.

Quando os homens de “deus” fazem uso da impiedade e injustiça, quando a cobiça por poder e glorias se torna o alvo de todos os seus esforços, não importando qual dor infligem ou o inocente que se mata. Onde está esse deus a mim ensinado quando o mal se propaga não nas sombras da morte, mas quando nos lugares celestiais ele anda de fina estampa e se conclama dono dos céus. Onde está esse deus quando a agonia e solidão que passo é fruto daqueles que conduzem minha alma para o céu de forma avassaladora perturba essa percepção poética e substancial da presença dele em minha jornada.

As declarações acima não são apenas uma exposição das ações funestas dos homens “sacros”, são uma analise do que machuca a alma, do que perfura o escudo mais forte de fé e crença em justiça no reino de Deus na terra, acreditamos em parâmetros que nos prendem a está resultante final quando vemos que os fatos reais se distanciam do que esse Deus no salmo 23:4 é descrito.

Ao constatar a certeza do salmista em sua composição poética e didática percebo bem mais que as letras, a construção dos tempos e a gramática, percebo que havia que há uma certeza num Deus consistente e real, que não divaga na verdade e se deita com a mentira e se enrola com os lençóis do poder. Vejo que esse Deus estende seu poder pra me consolar e me fazer passar pelo vale da sombra da morte. Quando vejo este texto vejo um Deus que não é mascate da fé, que não negocia o pecado pelo alto cargo que tenho na igreja, ele é a verdade que liberta.

O pão da vida que é descido do céu, e apenas em seu sangue eu tenho paz com ele e comigo mesmo. Ao viajar no salmo 23 percebo que as pastagem verdejantes já foram pagas para mim, e que não preciso de medianeiro ou instituição terrena para gerir minha entrada nestes pastos, pois conheço a voz do meu pastor, meu meigo amigo Jesus. Percebo que com esse Deus eu não entrarei em confusão pois sou apenas humano e não arrendatário dos caminhos da graça e que por assim dizer não posso tratar o reino de Deus como uma empresa qualquer. O caminho é santo simples e sem pedágio. Por isso acredite no Deus do salmo 23, s eu que a noite é escura, mas ele vai caminhar contigo até o fim, até as moradas eternas de Deus. Esse deus que se ergue na sua frente é mera criação dos homens fantoches do mal chamado poder.

Desfrute 

JC Silver 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dica de Leitura



Chega ao Brasil o primeiro volume da série As Crônicas de Aedyn: Os escolhidos

As crônicas de Aedyn têm todos os ingredientes para prender a atenção do público infanto-juvenil - Foto: Divulgação

Um misto de fantasia e realidade paira nas páginas de As Crônicas de Aedyn, fábula criada pelo irlandês Alister MacGrath, cujo primeiro título chega às livrarias de todo país, neste final de ano, pelo selo United Press

O cenário: Aedyn, uma cidade encantada, com elementos que vão além da imaginação. Um território envolto em histórias fantásticas e oprimido pela ação de misteriosos senhores que confiam apenas em sua própria razão. Os heróis: duas crianças, os irmãos Pedro e Júlia que, sem querer, vão parar na terra desconhecida e se veem envolvidos nas lutas para salvar os habitantes de Aedyn de sua sentença. Este é o enredo de As Crônicas de Aedyn, primeira fábula infanto-juvenil criada pelo irlandês Alister MacGrath, pesquisador sênior do Harris Manchester College e reconhecido no meio científico por suas contribuições em assuntos mais densos, como a relação entre as ciências naturais e a fé.

Em As Crônicas de Aedyn o autor se desprende da complexidade de temas, até então, tratados por ele em obras como O Deus de Dawkins: Genes, memes e o significado da vida (2008), em que ele refuta as teorias de Richard Dawkins, a respeito da não existência de Deus, para, em seu novo título, falar de forma lúdica e envolvente de valores como coragem, respeito, amizade, confiança e fé.

Neste primeiro livro da série - composta por outros dois títulos a serem lançados no Brasil no ano que vem - os personagens principais da trama vão para a casa dos avós, onde jamais poderiam suspeitar que as férias tomariam um rumo totalmente inusitado... De maneira misteriosa, os dois vão parar em um mundo habitado por seres fantásticos, marcado por estranhos ruídos e personagens “fora do comum”, como um monge de 500 anos de idade que fala de uma antiga lenda sobre duas crianças que um dia viriam para salvar Aedyn de seu destino fatal...

Com aberta inspiração nos clássicos de C.S Lewis (As Crônicas de Nárnia, 1950) e J.R.R Tolkien (O Senhor dos Anéis, 1954), a obra de MacGrath foi escrita com elementos fortes que remetem à criatividade, suspense e espiritualidade. No primeiro título da trilogia, Os Escolhidos, a mensagem que o autor imprime na trama é a de que é possível confiar em algo muito maior, mesmo quando tudo parece absurdamente sem solução. O livro também explora a importância de se aprofundar com maior afinco em determinadas questões antes da tomada de uma decisão. E destaca a fé como um dos valores intrínsecos à elas. “Muitas das questões tratadas no livro têm a ver com o modo que nos relacionamos com situações que não podemos ver, mas que ainda sim acreditamos ser possível. E revela que esse tipo de postura nos ajuda a encontrar o sentido das coisas e a lidar com situações que, com frequência, parecem muito difíceis e desconcertantes”, reforça o autor.

Escrito com entusiasmo e agilidade, As crônicas de Aedyn – Os Escolhidos têm todos os ingredientes capazes de prender a atenção do leitor juvenil que vai se identificar com as aventuras dos dois personagens centrais da trama que seguem em busca da verdade e de uma revolução no mundo mágico de Aedyn. Vale à pena embarcar!


As Crônicas de Aedyn – Os Escolhidos
De Alister MacGrath, Selo United Press, R$ 19,90
Formato: 13,5 x 20,5 cm, 186 Páginas, ISBN: 978-85-243-0417-0, Ficção
www.hagnos.com.br

Sobre o autor: O ex-ateu Alister McGrath é professor de teologia histórica da Universidade de Oxford e pesquisador sênior do Harris Manchester College. Possui doutorados em biofísica molecular e em teologia pela Oxford. Seu interesse principal se concentra na história do pensamento cristão, com ênfase particular na relação entre as ciências naturais e a fé cristã. Autor prolífico, suas recentes publicações incluem Dawkins' God: Genes, Memes and the Meaning of Life [O Deus de Dawkins: Genes, memes e o significado da vida].

sábado, 19 de novembro de 2011

Sonho de consumo



Não se trata de pontos de contato da fé! Foi uma das grandes declarações do Cristo!

Por: Danilo Fernandes

Foram exatos catorze minutos, segundo a minha assistente. Eu apaguei deitado no divã defronte a minha mesa de trabalho. Foi sono tão tranquilo, em tão estampado sorriso, que ela mesma fez silêncio cooperando com a minha gazeta no meio do dia agitado. Desligou os quatros monitores, baixou as persianas e foi lanchar.

Eu não queria ir, mas insistiram. Logo na entrada uma rosa ungida. Eu rejeito e ainda faço a minha cara padrão de quando alguém me oferece sushi ou sashimi, refeições que detesto: Um olhar de nojo cinematográfico.

Cozinha japonesa e idolatria gospel são coisas que não entram na minha cabeça. Não são mesmo para se levar a sério. Alguém pode me dizer se dá para confiar numa cozinha onde servem a comida crua, mas cozinham o guardanapo? E idolatria em igreja evangélica? Se a fé do cidadão é daquelas que precisa de muleta, imagens, pontos de contato e que tais, porque procura uma igreja protestante? Vá procurar a sua turma na macumba ou na ICAR, meu camarada! Passa fora, pois aqui só contaminas o rebanho com heresias!

Como se vê, até em sonho a minha apologética é um tanto caceteira, risos.

Voltando ao sonho...

Lá estava eu naquele templo quase pagão. O pastor era conhecido. Igreja neopentecostal light para a classe média. Em uma festinha de amigos já tínhamos quebrado o pau por conta de rosinhas, ungüentos e outras pajelanças. Segundo ele: pontos de contato da fé, doutrina sustentada até nos atos do próprio Senhor Jesus.

Com todo o respeito, entre um gole de Coca-Cola zero e uma empadinha, já havia dito ao honorável pastor: Acorda Marcelo! Pensa: Moises está no monte falando com Deus e você é o camarada no sopé da montanha incentivando o povo a fazer ídolos. Fica depois esta gente toda que segue gente como você achando que está na igreja de Cristo... Caminham com ela a vida toda, mas jamais verão Israel! Ele ria. Eu bufava. Ele desafiou: Vá a um culto meu na próxima semana.

Então eu fui. Insistência de familiar. Pedido de amigo. Mas fui mordido. Não ia prestar.

Acompanho a “pregação” deprimido. A passagem era João 9, aquela onde o Senhor cura um cego de nascença. A exejegue do “´Pr. Marcelo” usava o proceder incomum do Senhor no uso elementos – um lodo feito de Seu cuspe e terra para curar o homem cego de nascença, como sustentáculo da doutrina dos tais pontos de contato da fé e até dos atos proféticos, no comando de ação dado ao cego para que lavasse os seus olhos no tanque de Siloé, ato profético para efetivar a cura... Imagine!

Uma interpretação que sempre me entristeceu muito. Sempre a vi como um “deboche embasado” posto a justificar o uso de elementos orgânicos, minerais ungidos com a finalidade de cura e até mesmo aberrações e franca pajelança, como as toalhas suadas de Valdemiro Santiago, os bolos e rosas ungidos do RR Soares, os unguentos de Edir Macedo e as garrafadas do baixo gospel nacional. Nas Escrituras, temos o óleo dos enfermos. Ponto final.

No fim do culto, o “Pastor Marcelo” chama todos à frente. Cada um dos presentes recebeu uma latinha parecida com aquelas de pomada Minâncora. O conteúdo foi dado por mirra, óleo ungido e outros badulaques. Unção especial, panaceia para todo o mal. Obra e arte do nefasto pastor.
Quando me aproximo do “ungidão”, este na certeza de que a pregação havia me edificado, entrega-me a lata e dispara: Eu não disse que te convencia? Por alguns minutos fiquei parado, a espera da saída do maior número de pessoas das proximidades. Estava decidido a admoestar aquele pastor de uma forma tão contundente que, ou ele partia para as para as vias de fato, ou dobrava seus joelhos e lançava a cara no pó.

Abri a lata e disse: Passe esta meleca nos seus olhos sua anta! Faça já! Pois não é possível que não consigas entender o que acabaste de ler! Ore para que o Senhor te perdoe por este unguento ridículo e implore ao Espírito Santo para que este lhe retire as escamas cobrindo olhos! Estão as Escrituras fechadas ao seu entendimento, ou és mesmo um charlatão?

O homem emudece. O povo observa. Eu tomo o microfone.

Será que és mesmo um idiota que não conseguiu entender que esta passagem da cura deste cego de nascença não é a descrição de mais um milagre, apenas diferenciada por uma pantomina qualquer usando lodo e um tanque de água?

Meu irmão, você não consegue perceber que está diante de uma passagem dos Evangelhos que é um dos pilares, da nossa Fé? Um momento em que o Senhor Jesus se revela de uma forma única: Declara-se não somente o Messias, mas a própria a segunda pessoa da Trindade? O verbo presente desde o início?

Para começar era um sábado. E Ele decide fazer a cura, o que mais tarde suscitaria as críticas dos Fariseus. Contudo, Ele é o Senhor do sábado. O Messias. E esta foi a sua primeira declaração.

Ao cuspir na terra, diante dos olhos de todos. Jesus causa estranheza (e futuramente interpretações canhestras como a sua) ao se utilizar de elementos e rituais para operar um milagre. Na prática, um milagre prosaico, diante de corpos que foram ressuscitados e curas milagrosas onde nem mesmo foi necessária a Sua presença física, como no caso da cura do servo do Centurião.

Por que um Jesus que andava sobre as águas, curava os que tocavam em sua orla, os ventos e o mar obedeciam, precisaria se valer de um unguento, de um lodo ou lama de cuspe e terra para curar um cego? Certamente não era para justificar a idolatria e o paganismo na Igreja do porvir!

Não, meu pobre irmão! Naquele momento, o Senhor Jesus se volta ao próprio Pai, o criador. Revela-se como Aquele que estava presente desde a criação e para Quem e por Quem todas as coisas foram feitas.

Jesus inicia seu ato declarando que enquanto estiver no mundo, Ele é a luz do mundo e, diante dos olhos de quem podia enxergar, se revela o Senhor da Vida repetindo o gesto primordial da criação do homem, como visto no Gênesis.

Ao cuspir sobre a terra, lança a água que forma o barro e junto o sopro da vida saído de Sua boca. E agora, nas mãos do oleiro, há o barro que é a essência do ser.

Nas mãos do Cristo está a matriz que forma a suprema criação. Se um cientista moderno visse aquilo, no pouco entendimento que ao homem ainda é dado ter e saber, imaginaria que estavam ali, algo como células-tronco, daquelas que colocadas em um local onde havia um tecido rompido, um órgão danificado, tomam a forma e a função das células locais e destas criam novo órgão ou tecido.

E eis que assim fez o Senhor, àquele homem que, como fora dito, tinha os olhos fechados desde o nascimento. Por certo, nem mesmo olhos ele tinha, mas apenas pálpebras, ou um tecido qualquer a lhe cobrir as órbitas vazias...

Jesus derramou em suas órbitas a matéria da vida que repousava em suas mãos, não para sarar um olho doente, mas para criar novos olhos. E tendo feito nova criação, ordenou que se fizesse aquilo que está dado a fazer a toda nova criatura nascida em Cristo: Mandou que às aguas descesse os novos olhos, no tanque de Siloé, que significa o Enviado.

E o homem mergulhou às águas o que era novo em seu corpo, os olhos no lugar de órbitas vazias, de tão forma diferente ficou, que nem mesmo o reconheceram. Um novo semblante para uma nova criatura em Cristo. Um homem em parte refeito, de novo barro da vida, tudo diante de todos que não eram cegos ao entendimento da Verdade.

Enxergas agora que nesta sua lata de unguento não há nada que se relacione a este momento magistral? Enxergas agora o tamanho da sua estupidez? O que entendeste como um repositório de fé para uma cura milagrosa, a base para uma doutrina espúria de “pontos de contato da fé” é, na verdade, grande blasfêmia?

Em cristo somos livres de tudo que nos separa do Pai. Somos dignos. Qualquer véu, pedaço de pele ou escamas que nos cubram os olhos, aos nascidos de novo nada representam. Tudo podemos ver em Cristo.

Qualquer idolatria não nos põe em contato com a fé, mas nos afasta da presença do Senhor.

Logo algumas latas de unguento começaram a cair no chão de mármore. Depois muitas. Um barulho ensurdecedor Eu acordei com este som e tive impulso incontrolável de escrever sobre o que vivi em espírito e verdade

Fonte: genizah

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Senhores da Fé









“Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. 2 Timóteo 2:15

“Não toqueis nos meus ungidos”
Discurso afinado dos que representam o que há de mais mesquinho no meio dos “lideres” gospi de Guizus. Na pompa de seus carrões e jatinhos se debruçam em novas heresias de modismos místicos para de forma desesperada suprir a falta de ação do espirito divino de Deus em suas carreiras ministeriais. Fico me perguntando até onde vai essa busca desenfreada ao Eldorado evangélico?  

Vamos varrer as nossas igrejas, pintar a cara de vermelho sangue e dizer que apenas a graça é meio suficiente para chegar a Deus e ser amado e aceito por ele "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9).
Não precisamos de intermediário ou de medianeiros, não carecemos de sacrifícios ou mandingas para ter e ver o favor de Deus, acaso Deus é Baal? Desta indecisão se multiplica o povo no meio da igreja servindo a um deus inerte ao seus filhos que se move a medida das minhas ofertas, mas, decidamos hoje há uma decisão a ser tomada  assim como o povo fez quando Elias o Profeta perguntou : 1 Reis 18:21
“E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal segui-o...”

Temos que lutar contra essa vergonha que está se tornando o evangelho no Brasil, estamos sendo escarnecidos pelos maus exemplos de quem deveria dar o tom a nós, apenas “reles mortais” desta verdadeira Olímpia gospi. Sejamos fortes e corajosos e lutemos pelo que é verdadeiro “Combater o bom combate, guardar terminar a carreira e guardar a fé” .  Diga sim a verdade simples e pura do evangelho. Diga sim Juntos somos um, juntos nós podemos.


JC Silver





Viva a Unicidade



CGADB perde o trem da unidade no Centenário

Se vivos estivessem, o que diriam os pioneiros?
Ontem encerraram-se as comemorações "oficiais" do Centenário das Assembleias de Deus no Brasil, com a celebração realizada à tarde no Pacaembu, em São Paulo. O vocábulo se encontra entre aspas de propósito. Refere-se àquelas comemorações programadas pela CGADB/CPAD, que, sequer, incluíram, formalmente, as celebrações da Igreja-Mãe. Também em Belém, PA, as entidades mencionadas realizaram o seu evento uma semana antes das que estavam previstas no calendário da igreja fundada pelos pioneiros suecos.

Mas disso todo o mundo sabe. Como se diz por aí, é chover no molhado. O fato curioso é que ontem, também, houve outra celebração do Centenário em São Paulo promovida na Arena Barueri pela AD do Brás, vinculada à CONAMAD, ou, como se diz no uso corrente, Madureira. No mesmo dia e com a mesma finalidade. À primeira vista pode aparentar competição ou  represália. Mas pelas informações que disponho não foi uma coisa nem outra. Foi, isto sim, o resultado de a CGADB não ter procurado promover, desde o início, como sugerido, o Centenário da unidade. Não faltou quem lutasse por isso. Deu no que deu.

Soube por fontes próximas que houve gestão dos representantes de Madureira em São Paulo para que houvesse uma só celebração. Não teriam sido ouvidos. Ou melhor, teriam sido esnobados. Com isso, a CGADB/CPAD fez o que sempre desejou fazer, ou seja, concluir as festividades em São Paulo, na seara do Belenzinho (o óbvio deveria ser na Igreja-Mãe), enquanto a CONAMAD realizava a própria celebração, com justiça, no mesmo dia, já que a sua participação na festa "principal" foi menosprezada.

A nota de destaque é que o pastor Samuel Câmara, da Igreja-Mãe, cumprindo o seu papel protocolar, compareceu às duas celebrações: a da CGADB/CPAD e a da CONAMAD. Gesto no mínimo decente. Constrangedor foi o papel de nossa entidade maior, coadjuvada pela editora que hoje monopoliza o "poder" assembleiano, em conduzir de maneira tão pífia uma comemoração centenária que tinha tudo para ser apoteótica. Faltou nobreza, sobrou egoísmo.

No meu caso, pelas leituras das postagens anteriores neste blog, todos conhecem a posição que assumi, desde o início, ao lado de dezenas de outros companheiros, pela unidade no Centenário. Fizemos intensa campanha na blogosfera. Não pensem que esta semente foi plantada em vão. No devido tempo dará o seu fruto. Mas não terminarei o ano sem estar presente em pelo menos uma comemoração, embora não esteja no calendário oficial da CGADB/CPAD. Participarei da Ceia do Centenário, promovida pela AD de Madureira, Rio de Janeiro, no dia 3 de dezembro, a partir do meio-dia, no HSBC Arena, na Barra da Tijuca, onde, sem dúvida, estarão presentes os líderes das demais convenções do Estado. Sei que serei bem recebido.

É por essas e outras que nasceu e se consolida a proposta da Terceira Via na CGADB. Aliás, se você quiser conhecer um pouco mais, visite o blog, inaugurado no dia 15 de novembro: www.terceiraviacgadb.com.br.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Terceira Via (Sim juntos somos um)



Prezados,

Paz do Senhor!

Já estão postas duas candidaturas ao comando das Assembléias de Deus no Brasil. Sabemos quem são. Embora o processo de eleição, propriamente dito, não tenha sido deflagrado, as gestões bilaterais são evidentes. Há os que ficam alijados do processo, apenas para que no desfecho final votem em uma das candidaturas. Seu número é imenso, sua força, ignorada. Dizemos que existem milhares de ministros aptos a votar, como podem sobrar somente dois candidatos? Isso se não levarmos em conta os alegados 25 milhões de assembleianos. Por outro lado, ventos de mudança sopram fortemente, devemos aproveitá-los para fazer navegar nossas naus, do contrário, perdemos a oportunidade e vamos ficar na calmaria por mais alguns anos. Nós podemos fazer diferente!

Objetivos

Romper a polarização entre duas candidaturas. Entendemos que a liderança evangélica assembleiana no Brasil é muito rica e diversificada em pessoas e propostas, para se resumir a duas únicas vertentes. Não obstante reconheçamos avanços nas propostas apresentadas por ambos, entendemos que, passadas as eleições, tudo se resume a mais do mesmo. A Terceira Via propõe mudança verdadeira, com oração e ação! Claro que tais mudanças ensejam tempo, não há utopias a serem defendidas. Entretanto, é preciso ao menos propor uma nova linha de atuação, quebrando paradigmas nocivos arraigados em nossa liderança, que são perpetuados como se mudar não fosse possível. Ou repetimos o mesmo ciclo da política partidária tradicional, ou iniciamos agora algo para nos orgulharmos nos próximos anos;

Criar um ambiente propício à atração de propostas e ações de maneira ética e compromissada institucionalmente. Não há rosto definido até o momento, apesar das iniciativas aqui e acolá. Oportunamente, teremos pessoas a serem escolhidas para os cargos inerentes à estrutura da CGADB. Por enquanto, o foco do movimento é a instituição assembleiana, que precisa ser fortalecida contra interesses pessoais de qualquer origem. Assumimos o compromisso de colocar a CGADB acima de qualquer nome!

Focar os desafios de um novo tempo, desenhado nas últimas décadas. Perdemos representatividade nos últimos anos, apesar de nosso peso numérico. É uma constatação corriqueira. O único flanco que poderia nos orgulhar no momento é a representatividade política partidária, em termos de quantidade ao menos. Dados os sucessivos escândalos envolvendo alguns parlamentares e eleitos evangélicos, o clamor contra a corrupção nas ruas e que muitos destes políticos eleitos são oriundos de verdadeiros currais eleitorais, tal orgulho facilmente se transmuta em vergonha. Por outro lado, sucessivos escândalos internos na CGADB nos nivelam com as instituições mundanas. Queremos resgatar o papel de sal e luz em meios aos desafios que nos cercam!

Promover o debate sobre a conveniência e a viabilidade de uma Terceira Via. Hoje já sabemos quem serão os dois únicos candidatos na próxima eleição!? É inadmissível que tenhamos de nos contentar à apenas duas opções num País de dimensões continentais como o nosso. Temos, além disso, inúmeras manifestações dentro da AD que ficam mimetizadas nos embates Sul-Sudeste, precisamos de representatividade verdadeira. Hoje embotada pela falta de divisão de poder.

Iniciativas

Criação de um espaço virtual. Que vai funcionar como o catalisador de ações para dar vez e voz aos que acreditam em nossa proposta, mas também ouvir o contraditório. Não somos déspotas, somos pessoas cientes do valor democrático de nossas opções. Outrossim, não são bem vindas críticas infundadas, denúncias vazias, ilações contra quaisquer pessoas. O que queremos está exposto de modo claro. Igrejas menores que a nossa fazem eleições éticas há 100 anos!

Em dezembro, lançaremos uma rodada de jejum e oração, aonde os leitores poderão assumir o compromisso de participar escolhendo um dia. Você escolhe um dia, preenche um formulário e nós o lembraremos. Poste sua experiência, interaja com outros que neste mesmo dia estarão orando. Creia que a sua oração será ouvida e as mudanças ocorrerão;

Haverá um mural de propostas. As exequíveis, mais amplas e mais votadas, nesta ordem, serão endossadas no programa da futura Terceira Via. Queremos fazer com você. Seja conciso, inteligente e direto. Exponha-nos por que sua proposta é boa e por que as pessoas devem apoia-la. Você, teólogo, pensador, pesquisador assembleiano, pare um pouco de divagar e teorizar venha expor de modo prático mudanças que são necessárias. Vamos fazer juntos um planejamento de longo prazo, institucional, exequível e realista;


Espaço ministerial feminino. Frequentemente, as mulheres apenas acompanham as iniciativas. A elas é reservado o trabalho duro nas congregações, auxiliando ministros e obreiros em geral. Entretanto, o que é decidido na CGADB reflete diretamente no dia-a-dia de nossas irmãs. Queremos saber o que elas desejam. Não se abstenha minha prezada irmã, de nos expor suas aspirações no modo específico das mulheres. Vamos registrá-las e nos comprometemos a colocá-las em prática, para o bem da Obra do Senhor;


Espaço jovem. Precisamos ouvir os jovens. Os futuros líderes precisam participar agora com sugestões criativas. Moça ou rapaz nos envie sugestões de como a Convenção Geral pode mudar para melhor, através da Terceira Via. Tuite nossas propostas e divulgue nossa página.
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Convite

Falamos sempre em mudança, inovação, melhoria e coisas afins. Porém, todas elas necessitam de um passo prático. Agora é o momento decisivo para fazermos escolhas, agindo para que a vontade de Deus se cumpra. Façamos a nossa parte. Junte-se a nós! Se você tem um blog crie um post remetendo para este, se não tem envie para sua lista de e-mails! Todos podemos fazer alguma coisa!

Amém!

Fonte: www.terceiraviacgadb.com.br 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ler & Pensar III



Vou,

Caminhar para uma realidade de vida cristã totalmente conspiratória. Vou conspirar com Deus vou ser cúmplice com Cristo, andar de forma rebelde ao sistema escravista e sem noção do céu, sem graça e que se justifica apenas pra si mesmo como porteiro do céu, negando pra todos sua legitimidade quando se pede sua ação real como porta voz de um Deus amoroso.

Quero viver João 3:16 de forma plena sem a necessidade de diluir nada mais além do sangue de Jesus na minha vida, não quero fazer de Jesus meu Shopping Center celestial aqui  na terra, pois tudo que quero ele me dará apenas devo dependendo do local ser bonzinho ou fazer macumbaria Gospi para ter o que quero e não o que ele quer para mim. Quero amar as coisas do pai, isso significa amar os desvalidos fora e dentro do caminho, ser mão de Deus a todos mesmo que custe o meu estomago embrulhar em raiva quando meu “inimigo” me pedir ajuda.

Quero e vou ser, amado por Deus não pelo que sou, nem pelo que eu faço, mas sim, pelo que ele é, a fonte de aguas vivas, a mão que cura, o rebento de Davi, o bom pastor, a verdade e a vida a porta que conduz a salvação e a vida eterna. Vou amar a Deus de todo o meu coração, mas não por que sou bom, ou politicamente correto, mas por que ele me amou primeiro, e como prova veio a terra pra vencer o que eu não consigo sozinho vencer, o pecado.

Sou consciente que sou apenas humano, que nada em mim é bom ou puro sou apenas um ser débil e frágil que alcançou graça e favor da parte de Deus, devo a cada instante ver que as chagas do pecado me tomam o corpo e que o sangue de Jesus me limpa de todo o pecado me tornando alvo mais que a neve. Sim neste sangue lavado eu tenho uma nova vida, uma nova historia onde sei qual é meu papel.

Vou gritar aos quatro cantos que Jesus é simples e que seu evangelho é mais simples ainda, eu não preciso de quinquilharias para ser aceito por Deus, não preciso de sacrifícios  meramente marqueteiros para me achegar a Deus, ele ouve o meu coração e apenas com uma palavra me esquadrinha, sabe que minha alma sequiosa precisa de vida, de agua do espirito.

 Quero dar a mão a quem quer ir na caminhada, sem peso sem medo de ser feliz, afinal Deus também sorriu quando quis sorrir, Deus não vai me fulminar por pensar e fazer uso do que ele me deu o meu cérebro. Quero anular dentro de mim o meu eu, meu ego que quer as coisas terrenas como aio para as coisas do céu, me esquecendo de que no céu as comparações e o viver eterno e sublime demais para eu querer algo que seja uma sombra do que é o meu lar.

Quero ser o segundo Adão, feito da mesma casca mas tendo outra essência , nascendo de novo vivendo na direção do espirito, cair nos braços de Jesus e viver um amor profundo e louco por Deus, ama-lo conhece-lo e ser gerado por Jesus no ventre do amor e viver eternamente com Jesus, meu rei e para sempre meu amor .

JC Silver 

Desigrejados



Decepcionados com a Igreja Muitos são os cristãos abandonam o convívio das igrejas locais e decidem exercer sua religiosidade em modelos alternativos.

Por Mauricio Zágari

A Igreja Evangélica brasileira está cansada. E é um cansaço que vem provocando mudanças fortes de paradigmas com relação aos modelos eclesiásticos tradicionais. Ele afeta milhões de pessoas que se cansaram de promessas que não se cumprem, práticas bizarras impostas de cima para baixo, estruturas hierárquicas que julgam imperfeitas ou do mau exemplo e do desamor de líderes ou outros membros de suas congregações. Dessa exaustão brotou um movimento que a cada dia se torna maior e mais visível: o de cristãos que abandonam o convívio das igrejas locais e decidem exercer sua religiosidade em modelos alternativos – ou, então, simplesmente rejeitam qualquer estrutura congregacional e passam a viver um relacionamento solitário com Deus. O termo ainda não existe no vernáculo, mas eles bem que poderiam ser chamados de desigrejados.

No cerne desse fenômeno está um sentimento-chave: decepção. Em geral, aqueles que abandonam os formatos tradicionais ou que se exilam da convivência eclesiástica tomam tal decisão movidos por um sentimento de decepção com algo ou alguém. Muitos se protegem atrás da segurança dos computadores, em relacionamentos virtuais com sacerdotes, conselheiros ou simples irmãos na fé que se tornam companheiros de jornada. Há ainda os que se decepcionam com o modelo institucional e o abandonam não por razões pessoais, mas ideológicas. Outros fogem de estruturas hierárquicas que promovam a submissão a autoridades e buscam relações descentralizadas, realizando cultos em casa ou em espaços alternativos.
A percepção de que as decepções estão no coração do problema levou o professor e pastor Paulo Romeiro a escrever Decepcionados com a graça (Mundo Cristão), livro onde avalia algumas causas desse êxodo. Embora tenha usado como objeto de estudo uma denominação específica – a Igreja Internacional da Graça de Deus –, a avaliação abrange um momento delicado de todo o segmento evangélico. Para ele, o epicentro está na forma de agir das igrejas, sobretudo as neopentecostais. “A linguagem dessas igrejas é dirigida pelo marketing, que sabe que cliente satisfeito volta. Por isso, muitas estão regendo suas práticas pelo mercado e buscam satisfazer o cliente”.

Romeiro, que é docente de pós-graduação no Programa de Ciências da Religião da Universidade Mackenzie e pastor da Igreja Cristã da Trindade, em São Paulo, observa que essas igrejas não apresentam projetos de longo prazo. “Não se trata da morte, não se fala em escatologia; o negócio é aqui e agora, é o imediatismo”.  Segundo o estudioso, a membresia dessas comunidades é, em grande parte, formada por gente desesperada, que busca ajuda rápida para situações urgentes – uma doença, o desemprego, o filho drogado. “O problema é que essa busca gera uma multidão de desiludidos, pessoas que fizeram o sacrifício proposto pela igreja mas viram que nada do prometido lhes aconteceu.”

Se a mentalidade de clientela provocou um efeito colateral severo, a ética de mercado faz com que os fiéis passem a rejeitar vínculos fortes com uma única igreja local, como aponta tese acadêmica elaborada por Ricardo Bitun. Pastor da Igreja Manaim e doutor em sociologia, ele usa um termo para designar esse tipo de religioso: é o mochileiro da fé. “Percebemos pelas nossas pesquisas que muitas igrejas possuem um corpo de fiéis flutuantes. Eles estão sempre de passagem; são errantes, andam de um lugar para outro em busca das melhores opções”, explica. Essa multiplicação das ofertas religiosas teria provocado um esvaziamento do senso de pertencimento, com a formação de laços cada vez mais temporários e frágeis – ao contrário do que normalmente ocorria até um passado recente, quando era comum que as famílias permanecessem ligadas a uma instituição religiosa por gerações.

Para Bitun, a origem desse comportamento é a falta de um compromisso mútuo, tanto do fiel para com a denominação e seus credos quanto dessa denominação para com o fiel. O descompromisso nas relações, um traço de nosso tempo, impede que raízes de compromisso – não só com a igreja, mas também em relação a Deus – sejam firmadas. “Enquanto está numa determinada igreja, o indivíduo atua intensamente; porém, não tendo mais nada que lhes interesse ali, rapidamente se desloca para outra, sem qualquer constrangimento, em busca de uma nova aventura da fé”, constata.

 Modelo desgastado – O desprestígio do modelo tradicional de igreja, aquele onde há uma liderança com legitimidade espiritual perante os membros, numa relação hierárquica, já não satisfaz uma parcela cada vez maior de crentes. “As decepções ocorrem tanto por causa de líderes quanto de outros crentes”, aponta o pastor Valdemar Figueiredo Filho, da Igreja Batista Central em Niterói (RJ). Para ele, um fator-chave que provoca a multiplicação dos desigrejados é a frustração em relação a práticas e doutrinas. “Nesses casos, geralmente quem se decepciona é quem se envolve muito, quem participa ativamente da vida em igreja”. Com formação sociológica, o religioso diz que o fenômeno não se restringe à esfera religiosa, já que todo tipo de tradição tem sido questionada pela sociedade. “Há uma tendência ampla de se confrontar as instituições de modo geral”, diz Valdemar, que é autor do livro Liturgia da espiritualidade popular evangélica (Publit).

O jovem Pércio Faria Rios, de 18 anos, parece sintetizar esse tipo de sentimento em sua fala. Criado numa igreja tradicional – ele é descendente de uma linhagem de crentes batistas –, Pércio hoje só frequenta cultos esporadicamente. “Sinto-me muito melhor do lado de fora”, admite. “Estou cansado da igreja e da religião”. A exemplo da maioria das pessoas que pensam como ele, o rapaz não abriu mão da fé em Jesus – apenas não quer estar ligado ao que chama de “igreja com i minúsculo”, a institucional, que considera morta. “Reconheço o senhorio de Cristo sobre a minha vida e sou dependente da sua graça”, afirma. E qual seria a Igreja com i maiúsculo, em sua opinião? “O Corpo de Cristo, que continua viva, e bem viva, no coração de cada cristão.”

Boa parte dos desigrejados  encontra no território livre da internet o espaço ideal para exposição de seus pontos de vista. É o caso de uma mulher de 42 anos que vive em Cotia (SP) e assina suas mensagens e posts com o inusitado pseudônimo de Loba Muito Cruel. À reportagem de CRISTIANISMO HOJE, ela garante que é uma ovelha de Jesus, mas conta que durante muito tempo foi incompreendida e rejeitada pela igreja. “Desde os nove anos, estive dentro de uma denominação cheia de dogmas e regras rígidas, acusadoras e extremamente castradoras”. Na juventude, afastou-se do Evangelho, mas o pior, diz ela, veio depois. “Retornei ao convívio dos irmãos tatuada e cheia de vícios, e ao invés de ser acolhida, não senti receptividade alguma por parte da igreja, o que acabou me afastando mais ainda dela. Percebi o quanto os crentes discriminam as pessoas”, queixa-se.

Loba conta que, a partir dali, começou uma peregrinação por várias igrejas. Não sentiu-se bem em nenhuma. “Percebi que nenhum dos líderes vivia o que pregava. Isso foi um balde de água fria na minha fé”, relata. Hoje, ela prefere uma expressão de fé mais informal, e considera possível tanto a vida cristã como o engajamento no Reino de Deus fora da igreja – “Desde que haja comunhão com outros irmãos de fé, que se reúnam em oração e para compartilhar a Palavra, evangelizar e atuar na comunidade” enumera.

Igreja virtual – Gente comoPércio e Loba compartilham algo em comum, além da busca por uma espiritualidade em moldes heterodoxos: são ativos no ambiente virtual, seja por meio de blogs ou através de ferramentas como o twitter e outras redes sociais. É cada vez maior a afluência de pessoas das mais diversas origens denominacionais à internet, em busca de comunhão, instrução e edificação. O pastor Leonardo Gonçalves lidera a Iglesia Bautista Misionera em Piura, no Peru. Mestre em teologia edita o blog Púlpito cristão. “Quando comecei esse trabalho, passei a conhecer muitas pessoas que estavam insatisfeitas com os rumos que o evangelicalismo brasileiro estava tomando”, revela. “Neste processo, alguns começaram a ver o blog como uma alternativa à Igreja, ou até mesmo como uma igreja virtual”. Leonardo lida com esse tipo de público diariamente no blog. “Geralmente, são pessoas extremamente ressentidas. Consideram-se vítimas de líderes abusivos e autoritários e relatam que tiveram sua autonomia violada e a identidade quase banida em nome de uma mentalidade de rebanho que não refletia os ideais de Cristo.”

Outro que considera natural essa migração em busca de uma comunhão cristã que prescinde da igreja tradicional é o marqueteiro e teólogo presbiteriano Danilo Fernandes, editor do blog e da newsletter Genizah Virtual. Voltado à apologética, seu trabalho tem causado polêmicas e enfrentado resistências, inclusive de líderes eclesiásticos. “Pessoas cansadas de suas igrejas estão buscando pregadores com boas palavras, o que as leva à internet”. Para ele, buscar comunhão virtual em chats e outras mídias sociais é uma tendência. “A massa está desconfiada por traumas do passado; é gente machucada, marcada, ferida, gente que viu seus ídolos caírem”, conclui. Ele mesmo tem atendido diversas pessoas que o procuram para desabafar ou pedir conselhos.

Um resultado dessa busca por comunhão no ambiente virtual é o surgimento de grupos como o Clube das Mulheres Autênticas (CMA). Nascido de uma brincadeira entre mulheres cristãs que se conhecem apenas virtualmente, o grupo tem como lema “Liberdade de ser quem realmente se é”. A bacharel em direito Roberta Oliveira Lima, de 31 anos, é uma das integrantes. Ex-membro da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte (MG), ela afastou-se de muitas das práticas ensinadas no modelo congregacional e se diz em busca de uma igreja “sem excessos”. Ela se define como “uma pessoa desigrejada, mas não desviada dos princípios do Evangelho”. Segundo Roberta, o CMA supre carências que a igreja local já não preenchia mais. “Nosso espaço tem sido um local de refúgio, acolhimento e alegrias”, relata.

Ela garante que, até o momento, o grupo não sentiu falta de uma figura sacerdotal. “Aquilo que nos propomos a buscar não requer tal figura”, alega. “Pelo contrário, temos entre nós alguns feridos da religião e abusados por figuras sacerdotais clássicas. O nosso objetivo maior é compartilhar a vida e o Evangelho que permeia todos os centímetros de nossa existência”, descreve, ressaltando que, para isso, não é necessário adotar uma postura proselitista. “Mas nosso objetivo jamais será o de substituir a igreja local”, enfatiza.

“Galho seco” – “Falta de acolhimento pela comunidade, o desgaste provocado pelo estilo centralizador e carismático de liderança e frustração com as ênfases doutrinárias contribuem para esse fenômeno”, concorda o pastor Alderi Matos, professor de teologia histórica no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo. Mas ele destaca outro fator que empurra as pessoas pela porta de saída dos templos: “É quando uma igreja e seus líderes se envolvem em escândalos morais e outros”.

A paraibana C., de 37 anos, é um exemplo de gente que fez esse penoso percurso. Ela relata uma história de abusos e falta de princípios bíblicos na congregação presbiteriana de que foi membro por mais de quinze anos, culminando com um caso de violência doméstica de que foi vítima – sendo que o agressor, seu marido, era pastor. “Havia perdido completamente a alegria de viver, ao me deparar com uma realidade bem distante daquela que o Evangelho propõe como projeto para a vida”. C. fala que conviveu em um ambiente religioso adoecido pela ausência do amor de Cristo entre as pessoas: “Contendas sem fim, maledicência impiedosa e muitos litígios entre pessoas que se diziam irmãs”.

Este ano, C. pediu o divórcio do marido e tem frequentado um grupo alternativo de cristãos. “Rompi com a religião. Hoje, liberta disso, tudo o que eu desejo é Jesus, é viver em leveza e simplicidade a alegria das boas novas do Evangelho”. Ela explica que, nesse grupo, encontrou pessoas que vivenciaram experiências igualmente traumáticas com a religião e chegaram com muitas dores de alma, precisando ser acolhidas e amadas. “Temos nos ajudado e temos sido restaurados pouco a pouco. No âmbito do grupo, um ambiente de confiança foi formado, de modo que compartilhar é algo que acontece naturalmente e com segurança.”

“As pessoas anseiam por ver integridade na liderança. Quando o discurso não casa com a prática, o indivíduo reconhece a hipocrisia e se afasta”, avalia o bispo primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida (ICNV), Walter McAlister. Para ele, se os modelos falidos de igrejas que não buscam o senso de comunhão e discipulado – como os que denuncia em seu livro O fim de uma era (Anno Domini) – não mudarem, o êxodo dos decepcionados vai aumentar. Apesar de compreender os motivos que levam as pessoas a abandonarem a experiência congregacional, o bispo é enfático: “Nossa identidade cristã depende da coletividade e, portanto, de um compromisso com uma família de fé. Sem isso, a pessoa não cresce nas virtudes cristãs e deixa de viver verdadeiramente a sua fé. Como um galho solto, seca e morre”.

“O fenômeno dos desigrejados é péssimo. Somos um corpo, nunca vi orelhas andando sozinhas por ai”, diz Paulo Romeiro. O pastor Alderi, que também é historiador, recorre à tradição cristã para defender a importância da igreja na vida cristã. “Da maneira como a fé cristã é descrita no Novo Testamento, ela apresenta uma feição essencialmente coletiva, comunitária. A lealdade denominacional é importante para os indivíduos e para as igrejas. Quem não tem laços firmes com um grupo de irmãos provavelmente também terá a mesma dificuldade em relação a Deus”, sentencia.

Sinais do Reino – Dentro dessa linha de pensamento, é possível até mesmo encontrar quem fez uma jornada às avessas, ou seja, da informalidade religiosa para o pertencimento denominacional. Responsável pelo blog Lion of Zion, Marco Antônio da Silva, de 31 anos, é membro da Comunidade da Aliança, ligada à Igreja Presbiteriana do Brasil, em Recife (PE). Ele afirma que redescobriu sua fé na igreja institucional. “Para alguns militantes virtuais mais radicais, isso seria uma heresia, mas tenho uma família com necessidades que uma igreja local pode suprir – e a congregação da qual faço parte supre essa lacuna muito bem”, afirma.

“Existe desgaste, autoritarismo e inoperância em todos os lugares onde o homem está”, reconhece o pastor e missionário Nelson Bomilcar. Ele prepara um livro sobre o tema, baseado nas próprias observações do segmento evangélico a partir de suas andanças pelo país. “Podemos ficar cansados e desencorajados, mas temos que perseverar e continuar amando e servindo a Igreja pela qual Jesus morreu e ressuscitou”. Como músico e integrante do Instituto Ser Adorador, Bomilcar constantemente percorre congregações das mais variadas confissões denominacionais – além de ser ligado a seis igrejas locais, ele congrega na Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo. “Continuo acreditando na Igreja do Senhor. Estou na Igreja porque fui colocado nela pelo Espírito Santo. É possível viver o Evangelho na comunidade, apesar de todas as suas ambiguidades, para balizarmos aqui e ali sinais do Reino de Deus. Tenho sido testemunha disso”.

Em cristianismo hoje
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