terça-feira, 10 de abril de 2012

Raio X II


Depois de quase 2.000 anos judeus voltam a fazer sacrifícios perto do monte do templo

  
Um vídeo identificado como sendo da Arutz Sheva - Israel Nacional News  mostra reportagem da agência de notícias  onde se vê um grupo de judeus fazendo o sacrífico de cordeiros e outros animais em uma tenda montada próxima ao monte do templo.

Ali foi montada uma coluna sacrificial onde os ativistas religiosos estão fazendo sacrifícios nos moldes previstos na Torah para a prática do Korban.

 Um dos organizadores defende que a prática deveria ser normal durante no Pesach, a pascoa judaica e que só não está sendo realizada no templo por motivos políticos.

O site da Arutz Sheva - Israel Nacional News não apresenta nenhuma referência ao fato, de maneira que não se sabe se o vídeo é real. Diversas versões do mesmo vídeo foram postadas no YOU TUBE e os autores instam o viral com expressões religiosas.

O que se sabe a este respeito é  todos os anos o assunto  korban pesach practice recebe as atenções de rabinos de mais variadas tendências.

Se a moda pega aqui nas terras tupiniquins, onde aí se eu te pego.



Raio X


 Ilari-lariê, aleluia.
 Por: Digão

 Recentemente, a senhora Maria da Graça Meneghel veio à baila novamente. Certa apresentadora de TV faria uma homenagem a Airton Senna, falecido piloto brasileiro e o último de sua espécie (a não ser que você leve o Barrichello a sério). Porém, esta homenagem não poderia ser completa, uma vez que o nome de Meneghel, antiga namorada de Senna, não poderia ser citado, já que esta se encontra em litígio judicial contra a emissora de TV por ter veiculado fotos suas em que ela aparece desinibidamente na revista Playboy.

Pois é, este é um grande paradoxo da nossa cultura brasileira: Meneghel, que é mais conhecida por seu apelido infantil de Xuxa, despontou na sua carreira de modelo como uma espécie de furacão sexual. Namorou Pelé (o responsável pelo seu estrelato), posou pelada inúmeras vezes, estrelou um filme em que simula sexo com um ator que à época tinha 12 anos (“Amor estranho amor”), começou a apresentar um programa de TV na antiga Rede Manchete onde as roupas eram mínimas, bem como sua paciência com as crianças (seus esculachos com a meninada ficaram famosos).

 Seu sucesso (e a ajudinha de Pelé) a levaram à Globo, onde até hoje se encontra. No auge do seu sucesso, chegou a protagonizar cenas lamentáveis, como o incentivo a crianças a fazer a dança na boquinha da garrafa. Carla Perez (aquela do “i de iscola”) chegou a declarar que Xuxa foi seu grande modelo. Hoje, depois da maternidade, Xuxa encaretou e quer apagar seu passado de erotismo infantil, recorrendo aos meios legais possíveis para isso.

Enfim, uma legião de meninas (e alguns meninos aboiolados) foi diretamente influenciada por Xuxa e seu tratamento distorcido do sexo. Isso não poderia ser diferente no meio evangélico, apesar da intensa pregação em meios fundamentalistas contra a apresentadora, que chegou a ser até mesmo satanizada – quem não se lembra dos boatos de que ela seria adoradora de eXU e XAngô, o que teria originado seu apelido?

Obviamente não sei de casos de crianças filhos de crentes que dançaram na boquinha da garrafa (mas não duvido que tenham ocorrido casos assim); afinal, sexo e sexualidade sempre foram assuntos malditos dentro do sistema religioso em que muitos vivem. Mas é claro que, como membros de uma sociedade adoecida, muitos jovens evangélicos foram atingidos pelo erotismo infantil de Xuxa.

Eu sempre pensei sobre a razão de muitas cantoras de grupos evangélicos cantarem de modo extremamente sensual. Algumas (e alguns) artistas gospel cantando e gemendo “Paaaaaaaaaaaiiiii...” me trazem arrepios – certa vez ouvi uma apresentação, em CD, de determinado expoente gospel em que não sabia se o sujeito estava tendo um AVC ou um orgasmo (talvez os dois ao mesmo tempo).

Também sempre achei estranho como até mesmo cantores homens ficarem cantando “eu sou do meu amado”, numa clara falta de contextualização de Cantares, abrindo caminho para todo tipo de interpretações homoafetivas, além de alguns dançarem feito bambis sob efeito de LSD. Sei que apenas a influência da Xuxa não é suficiente para um quadro desses. Há de se pensar também no evangelho rarefeito que é ensinado hoje em dia por aí, misturado com dicas de bem estar e autoajuda – dependendo da igreja que se freqüenta, um manual do SEBRAE edifica mais. Essa insistência de querer mostrar o membro de igreja sempre como o “vencedor” está criando uma geração de mimados e desajustados para a vida. Mas sei que, além desses ingredientes, ainda faltava algo para explicar o atual quadro de descalabro litúrgico brasileiro.

Como Deus é bom e Sua misericórdia dura para sempre, Ele me mostrou um terceiro componente nesta equação erótico-espiritual. Caiu em minhas mãos um pequeno livro de Anselm Grün, monge beneditino alemão que está tendo bom espaço entre os católicos. E sua aceitação se deve aos seus méritos, pois é um bom escritor na área da espiritualidade cristã. Lendo seu livro “Espiritualidade e entusiasmo” (Ed. Paulinas), me deparo com algo que me esclareceu sobre nossa liturgia. Fazendo um pequeno histórico sobre o desenvolvimento da mística na história, ele descreve aquilo que é chamado de “mística do amor”, um tipo de espiritualidade que se desenvolveu na Idade Média. Diz-nos Grün:

Na mística do amor – sobretudo na mística feminina da Idade Média –, trata-se do amor a Jesus Cristo, ou do amor de Deus, que se aproxima do homem de uma maneira feminina, antes da forma masculina. A mística do amor praticada pelas beguinas – mulheres que, sem pronunciar votos, viviam livremente em grupos espalhados nos Países Baixos e na Bélgica, nos séculos XIII e XIV –, era sobretudo uma mística nupcial. Para elas, Jesus era o noivo que abraça a pessoa mística. Essas místicas falavam sobre suas experiências numa linguagem erótica. Nisso era muito apreciada a interpretação do Cântico dos Cânticos do Antigo Testamento. (...) As místicas falam sobre o namoro divino, em que podem alegrar-se da proximidade de seu noivo divino. (...) a união com o Amado nunca é um fundir-se ou dissolver-se; é um “doce abraço” ou um “beijo espiritual” (p. 44, 45 – grifo meu).

Portanto, este é o terceiro elemento que faltava: a erotização do louvor conforme praticado pelas beguinas na Europa medieval. Como a igreja evangélica brasileira atravessa um período de obscurantismo comparado muitas vezes ao da Idade Média (mas sem as influências de S. Agostinho, S. Tomás de Aquino ou das nascentes universidades), parece que estamos em casa...

Sei que a Bíblia me diz que meu relacionamento com Deus envolve, também, a parte afetiva, emocional (Mt 22.37). Sei também que os calvinistas, de modo geral, precisamos tomar cuidado com uma espécie de embotamento emocional que pode advir de estudos teológicos malfeitos e vivências eclesiais falhas. Mas nada, absolutamente nada, me autoriza a ter um relacionamento amoroso com Deus com base no erotismo. A dimensão erótica deve ser vivenciada entre um homem e uma mulher no matrimônio; com Deus, a dimensão do amor é o ágape, e envolve casados, solteiros, eunucos, crianças, adultos, etc., em um relacionamento vivo, verdadeiro e pessoal com o Eterno. Cantar para Deus “abraça-me”, ou entoar um mantra dizendo que está “doente de amor”, é fugir completa e totalmente do sentido do amor de Deus revelado em Cristo nas Escrituras, esbarrando perigosamente no risco de se adorar um deus alheio à revelação bíblica.

Uma geração que cresceu assistindo aos programas da Xuxa entoa canções amorosas pretensamente voltadas a Deus, mas usando conceitos e categorias de pensamento próprias de um relacionamento puramente humano, chamando isso de louvor, com grande aprovação do povo, que compra seus CDs e DVDs e alimenta a máquina. Uma liderança eclesial que falta com sua obrigação de ensinar o povo acerca da pura e verdadeira Palavra de Deus, preferindo repassar conceitos de empreendedorismo, vitória a qualquer preço e estímulo ao ego; uma mentalidade intensamente hedonista, marca de nosso tempo, que se torna presente com toda força através de um misticismo medieval em que o erótico se confunde com o metafísico. Esta é a estrutura que mantém a indústria de entretenimento gospel brasileira, e porque não dizer, mundial.



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